Já está em construção o Percurso dos Sete Vales Suspensos, um caminho de natureza pedonal que se estenderá por 5,6 quilómetros, acompanhando as linhas sinuosas das arribas localizadas entre a Praia de Vale Centianes e a Praia da Marinha, no concelho de Lagoa.
O percurso desenvolve-se ao longo de uma linha quase contínua de arribas, apenas interrompida por linhas de água, que na sua maioria desembocam acima do nível do mar, dando origem a autênticos “vales suspensos”. Daí o nome do trajecto.
Num passado distante, cada um daqueles “vales suspensos” esteve associado à foz de uma linha de água e testemunha a intensa erosão a que aquela orla costeira está sujeita, já que deve a sua formação a um recuo rápido do litoral, não acompanhado pelo entalhe da linha de água.
O percurso, que se baseia na regularização de trilhos previamente existentes, assenta num projecto de arquitectura paisagista a desenvolver ao longo da costa, que contempla a implantação de guardas de protecção em zonas conflituosas, de difícil acesso ou com riscos associados, a execução de escadas naturais embutidas nas arribas de modo a permitir a passagem de utentes e a introdução de miradouros que apelam à contemplação de vistas panorâmicas privilegiadas.
Ao longo do percurso, o visitante terá ao seu dispor quase duas dezenas de painéis informativos de diferentes tipos, que visam explicar o seu traçado e intenções, chamar a atenção para aspectos pontuais do caminho, explicar ocorrências geológicas ou referir o interesse da avifauna e da vegetação local.
O Percurso dos Sete Vales Suspensos tem como objectivo a mitigação do risco para os utentes deste troço costeiro, associado à geodinâmica das arribas, e complementarmente fomentar um turismo voltado para a Natureza, numa região de intensa procura por parte de visitantes, contribuindo para uma opção de desenvolvimento turístico sustentável, que se pode praticar ao longo de todo o ano, a que se juntam os objectivos da valorização do território e da conservação da natureza.
A acção, que deverá estar concluída antes do início da época balnear, representa um investimento de cerca de 78 mil euros e é co-financiada em 70% por fundos comunitários.












