Segunda, 19 de Outubro de 2009  
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Desde meados de Dezembro, o litoral sul do Algarve foi submetido à acção de três episódios de tempestades sucessivas no mar, com ondulação de Sudoeste.No último mês, ocorreram 14 dias com ondulação com altura superior a 2,5 metros, o que constitui, em matéria de dinâmica das praias, o limiar de ondulação de tempestade. Este tipo de ocorrência é considerado normal, tendo um período de retorno (periodicidade média) de cerca de 5 anos.

Durante a incidência das tempestades, verificou-se a mobilização global dos areais das praias, com a instalação do designado perfil de Inverno (rebaixamento generalizado do nível de areia das praias e transferência da areia para a zona submarina). Deste rebaixamento do nível da areia resultou,
em muitos casos, o aparecimento da plataforma rochosa e de calhau rolado, que constitui a base das praias suportadas por arribas.

Em consequência do rumo de Sudoeste, que promove o transporte de areia para Este, o maior emagrecimento dos areais verificou-se nos extremos Oeste das baías, nomeadamente nas praias das Belharucas (Albufeira), Peneco (Albufeira), Vale Olival (Lagos) e Meia Praia (Lagos).

No caso da praia de Vale Olival, a poente de Armação de Pêra, o rebaixamento do areal originou o desaparecimento da estacaria de suporte do apoio de praia local. A intervenção de recurso realizada ontem, terça-feira, permitiu a colocação de nova estacaria devidamente fundada no substrato e o restabelecimento das condições de estabilidade do referido apoio de praia.

Na sequência das tempestades, foram também registados desmoronamentos nas arribas rochosas concentrados na frente costeira de Albufeira, entre as praias das Belharucas (a Nascente) e a praia da Oura (a Poente), com frequência normal e característica do Inverno. Também nas arribas arenosas (entre a praia das Belharucas e o Garrão) foram registadas diversas derrocadas nas arribas, episódios normais durante estas condições meteorológicas (precipitação elevada e concentrada e ondulação de tempestade).

Sendo um episódio extremo, embora normal, registaram-se situações de ruptura irreversível nas zonas mais vulneráveis, nomeadamente na Praia da Fuseta, onde foram total ou parcialmente destruídas 18 das 76 casas ali existentes.

Refira-se que as construções daquele núcleo, todas elas casas de férias em situação ilegal, se destinam a ser demolidas, no quadro da intervenção da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, em cumprimento da determinação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Vilamoura / Vila Real de Santo António, aprovado em 2005, que prevê a renaturalização da área.

Logo que as condições meteorológicas o permitam, a Sociedade Polis Litoral Ria Formosa procederá à remoção dos resíduos deixados pela intempérie.

A completa renaturalização do núcleo da Fuseta deverá ter lugar ainda em 2010, logo que esteja concluído o respectivo Programa de Intervenção e Requalificação (PIR), no âmbito da intervenção do Polis Litoral Ria Formosa.